domingo, fevereiro 26, 2006

Carnaval

Aqui somos rei e rainha,
e vamos passar na avenida
com tapete vermelho pra nos coroar
e a imensidão do povo
bradando em uníssono
de braços pro alto
o abraço que nos vamos dar.
Aqui tem moça de barba,
criança de cara pintada,
e aleg[o]ria que não falta
pra gente fazer nosso carnaval.
Aqui somos todos normais
escondendo a vergonha
atrás da falsidade
das máscaras de carnavais.
Aqui nós pintamos o sete,
borramos o chão em passos de bateria
aqui nós fazemos folia
pra esquecer que a vida é triste.
E vendamos os olhos,
patrão, empregado,
polícia e ladrão
pra sermos todos piratas,
bailarinas ou acrobatas
de uma mesma evolução.
E quando chegar quarta feira
estaremos cansados de tanto
levantar poeira
e faremos descanso ao final
pro dia seguinte,
na quinta feira,
tirarmos as máscaras e a brincadeira
voltar ao normal.
Mas agora somos rei e rainha
e vamos passar na vida avenida
pra fazer nosso carnaval.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Duas notícias

Duas notícias: boa e ruim. Vou começar pela ruim:

Acontece que eu fui no dentista porque já [há muito] a profissional que fazia limpeza nos meus dentes falou que havia uma mancha preta num deles e ela pediu preu ir a um dentista, já que havia perigo de ser uma infiltração causada por uma obturação velha. E era isso mesmo! Eu demorei tanto tempo pra ver que, embaixo da obturação, proliferou-se uma cárie que me fez perder toda a lateral da massa dentária =[. Tive que botar uma massinha pra impedir esmerdalhar mais ainda.

A boa notícia é que, mesmo depois desse tempo todo, a cárie não chegou ao nervo do dente [embora tenha alcançado nível próximo] e a doutora ficou muito impressionada, pois eu não sentia dor nenhuma. Logo não vou precisar fazer um canal [isso é bom!] e vou ter que pôr um bloquinho no local do buraco que ficou.

Mas já marquei tudo: perito, comprei o bloquinho e vou substituir minhas duas obturações antes que elas esmerdalhem também, junto com a já infiltrada. Marcarei também a limpeza dos dentes pra ficar com eles branquinhos. O chato é que não foi culpa de escovação, e sim, de infiltração! Mèrde!!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

De graça

A língua portuguesa ["não existe língua sem adjetivo"] é uma de várias línguas portuguesas. É dessa mistura que nasce uma padronização, pois há de se tornar uma delas a oficial, não dizendo, em antemão, que os outros "portugueses" estejam incorretos.

O dia ameno, uma poça no chão e uma família na rua: três, o número sagrado, começou por narrar a estrutura piramidal do meu acordar. Das menores, a criança bebia a água da poça e a maior brincava com algum metal. Quando se lê o direito civil, fica-se mais ainda indignado. Antes não existisse, valesse como sempre valeu, a lei dos mais fortes em suma, sem supressão ou hipocrisia congênita social. O moleque do meio, remelento, com uma coriza incessante e um olhar triste chupava chupeta. A alcinha branca, os olhinhos lacrimejantes de quem jamais terá uma vida melhor do que a pior de muitos. É valido um depoimento. Sempre é válido. Pois parece ser que o narrador conta a vida de quem mora perto, ao lado. Estamos enfadados de ver tanto joão ninguém e tantas maria-vai-com-as-outras pelas esquinas, que uma das histórias já não passa a ser individual. Enquanto vemos que o acaso foi amável conosco, encerramos as pálpebras e falamos de constituição, dos direitos que são nossos e tapamos conseguintes buracos no asfalto, transitamos em paz com as árvores podadas e sorrisos falsos e gratuitos que são distribuídos sempre que entramos em alguma dessas grandes conveniências. Tá, é lógico! Eu também fui acolhido pelo acaso e o que fiz foi unicamente um texto pra dizer como me dói tanta coisa de graça nessa vida que não vale nem a pena aceitar...

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

O lugar do encontro

Uma hora da manhã, quase duas. Neste exato momento eu deveria estar dormindo. Minha cama está arrumada, as luzes apagadas, o lençol posto em formato do corpo. Tenho ao meu lado um copo d'água e toda inspiração do mundo e ela ainda não disse que era hora de dormir. O silêncio reina afora mas alguns transeuntes deixam suas pegadas no ecoar da noite. Em algum lugar do Rio jaz alguém que amo. E como dói não saber em que lugar...

domingo, fevereiro 12, 2006

A verdade numa reflexão noturna

Encarar a verdade é como encarar o silêncio. Homem ou mulher, você que lê, talvez o saiba. O que cala é a plataforma do concreto. Tanto que são todos assim, calados; amor, glória, dor...quem se vê no quieto, ouvindo os barulhos incessantes do imanifesto, acha-se finalmente a par da verdade. Esse é o mundo em si, quando se desplugam as tomadas e a noite cai. No roncar da lua, das estrelas, do céu preto e imenso que mais parece um ilimitado e compresso fechar de olhos. A noite começa aí, quando os olhos não enxergam. Não há uma palavra, nem sons que se distinguam do mero dormir dos bichos. É apenas o silêncio e a verdade de tudo o que existe.

domingo, fevereiro 05, 2006

A palavra que sinto

Amor: palavra que me levanta, a mesma que me destrói. E por perceber-me amando, durmo. É digno dele causar-se por ser ambíguo e por complexo ser dar-lhe definição adequada. Já viajei, taquei-me ao relento, aos prados infinitos, aos oceanos com suas únicas linhas-do-horizonte... amor: força que vida, que mata. Não sei se ubíqua ou ambígua. Sei que sigo. O coração em pedaços, a alma, como não doutrora forte, mas chorosa e míngua, e um olho penoso pra tudo. Como dizer eu te amo em três linhas? Eu, este homem-de-mil-palavras, calo, pra dizer em segredo que sinto, não além disto, o que chamo e defino: amor.